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Palestra para pais e educadores levanta a questão “ser ou estar autista

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Dando continuidade às ações da Semana de Conscientização do Autismo, a Secretaria de Educação realizou a palestra “O autismo em pauta: os novos cérebros da pós-contemporaneidade”, direcionada aos professores da rede municipal e pais. O encontro foi realizado na Casa de Festa Palladon, no bairro Flamengo. Com duas horas de duração, a palestra foi ministrada pela professora universitária da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e neurocientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Bianca Fonseca, que com 18 anos de formação profissional, tem mais de oito dedicados ao estudo do autismo. De acordo com a neurocientista, o autismo está classificado como doença no Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5) feito pela Associação Americana de Psiquiatria. “O autismo não é um transtorno ou síndrome. É uma patologia que segue os protocolos de doenças mentais que tem casos mais leves e os mais severos”, frisou.

 Para a neurocientista, deve haver uma distinção entre o “ser autista” e o “estar autista”. “Devemos nos atentar a isso. Todos nós em algum momento da vida apresentamos comportamentos que são considerados sintomas da doença, mas sabemos lidar e superar esses transtornos. Nem toda criança com transtorno sensorial ou déficit de atenção é autista”, avalia. Segundo ela, para ser considerado autismo, devem ser identificadas alterações nas áreas neurológica, metabólica, gastrointestinal e imunológica. “Clinicamente, ocorre uma antecipação do diagnóstico e, consequentemente, do tratamento terapêutico. Na dúvida, trata-se logo como autismo, por isso digo que, em muitos casos, pode estar autista e não ser autista”, explicou.

Outro ponto levantado pela professora é sobre o avanço da tecnologia que modificou nosso comportamento. “Nos últimos dez anos, houve um aumento do número de crianças com atraso de linguagem, mas isso necessariamente não significa que ela esteja doente. A tecnologia modifica nosso comportamento. E com isso nosso cérebro também passa por mutação e, dessa forma, cria-se um novo ser humano com novas características. Por isso, temos que nos perguntar como lidaremos com essas questões”, acrescentou. Ainda segundo a palestrante, houve um aumento de mais de 5.000% casos de autismo nos últimos cinco anos. “No Brasil, um em cada 64 meninos são autistas e, nos EUA, essa proporção é de um para 36 meninos. Esse dado nos revela um cenário em que devemos nos interrogar sobre o que está errado”, apontou.

Para a professora da sala de recursos da E. M. Barra de Zacarias, Fátima de Souza, de 43 anos, a palestra foi muito elucidativa. “Temos que conhecer o aluno que recebemos nas nossas escolas. É imprescindível ao profissional se capacitar, adaptar a parte pedagógica e aprofundar os recursos disponíveis para fornecer a ele autonomia necessária”, salientou. O casal Andreice Amaral, de 35 anos, e Fabrício da Silva, de 37 anos, pais do pequeno Miguel, considerou o encontro muito esclarecedor. “Mais do que satisfeitos, estamos esperançosos. Nosso filho foi diagnosticado como autista, mas agora estamos com várias interrogações. A doença não foi comprovada. Certamente, vamos buscar outras opiniões e fazer todos os exames necessários”, destacou.

A gerente de diversidade e inclusão educacional, Hellen de Azevedo, destacou a importância do evento para ajudar na conscientização do tema. “Hoje, temos na rede municipal 160 alunos diagnosticados como autistas inseridos na sala de aula e integrados nas atividades pedagógicas. Os pais e professores devem participar de debates que ajudem na autonomia desses alunos”, declarou a gerente.

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Fotos: Clarildo Menezes

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