A trajetória de ‘Os Bagres’ na natação em águas abertas

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Foto: divulgação

Nadar no mar aberto pode parecer um desafio para muitos, mas para o projeto social “Os Bagres”, em Maricá, esse desafio virou oportunidade de inclusão, superação e saúde. Criado em 2023 por três amigos que buscavam ir além dos treinos em piscinas, o projeto hoje reúne cerca de 30 alunos, entre amadores e competidores, oferecendo treinos acessíveis que já mudaram a rotina e a vida de muitos participantes.

O projeto nasceu da experiência de Igor Oliveira, 38 anos, nadador de piscina que, treinando em ambientes controlados, sentiu necessidade de se desafiar no mar. “Eu nadava em projetos sociais, mas os treinos não estavam mais satisfazendo. Quando ia para o mar, percebia que era diferente do que tinha aprendido em piscina. Comecei a nadar em águas abertas e a vontade de ter um projeto voltado para o mar só aumentou”, conta Igor.


Foi da experiência de um treino no mar que Igor despertou a ideia de criar um projeto social focado na natação em águas aberta, algo mais democrático e acessível. “Natação é um esporte caro, precisa de equipamentos e geralmente é mais para a classe média alta. A ideia das águas abertas é mais democrática, consigo levar todo mundo para a praia, que tem acesso mais fácil para quem tem menos condições”, explica.

Ao lado de Igor estão Priscila, 36 anos, e Matheus Assis, 34 anos, também idealizadores do projeto. Priscila, que nunca tinha nadado no mar antes, hoje compete em provas no mar. “No começo, eu não entrava a dois metros na água. Hoje, nado provas de até 4 km. Nossa ideia é mostrar para as pessoas comuns que elas podem se superar”, afirma Priscila.

Matheus, apelidado de Chitão, reforça a importância do projeto para sua vida: “Eu sempre gostei de nadar e do contato com o mar, mesmo enfrentando as dificuldades do mar perigoso de Maricá. Depois de anos sedentário, em 2022 entrei no esporte, reencontrei o Igor e a Priscila e começamos a nos interessar por natação em águas abertas e competições.”

O nome “Os Bagres” veio por causa das condições da água em que eles começaram a treinar, na Praia do Flamengo: “A água estava enverdeada, meio ruim, e o Matheus falou: ‘essa água está para bagre nadar’. Quando pediram um nome para o projeto, o nome já existia e assim ficou”, conta Priscila. 

Desde a sua fundação, “Os Bagres” cresceram de apenas três idealizadores para cerca de 30 alunos. Desse total, cerca de 20 são competidores, que treinam intensamente e participam de provas em várias cidades, como São Paulo, Guarujá, Copacabana, Leblon, Búzios e Cabo Frio.

“A gente precisa garantir que todos possam treinar, porque muitos não têm condições financeiras de pagar inscrições, transporte ou alimentação nas competições. Por isso, o projeto paga essas despesas através de vaquinhas e ajuda dos próprios nadadores”, explica Igor.

Apesar de o foco inicial ser o treinamento de competidores, a conquista de uma sede própria, há cerca de três meses nas Pedreiras, em Maricá, possibilitou a abertura para mais alunos. “Antes não podíamos gastar tempo com quem não queria competir, porque não tínhamos espaço e precisávamos focar nos atletas. Agora, com a sede, conseguimos ampliar e receber pessoas que treinam só por lazer ou saúde”, completa Igor.

O espaço conta com uma piscina e oferece melhores condições para treinamentos, complementando o treino em águas abertas. “Apesar do foco ser o mar, a piscina é importante para aprimorar técnicas e visualizar melhor os movimentos, que depois aplicamos na prática do mar”, explica.

Para Priscila, o impacto do projeto vai muito além da prática esportiva. “O projeto mudou minha vida. Eu era muito sedentária, tentei várias atividades físicas, mas não conseguia manter. A natação, que comecei através do Igor, me ajudou a encontrar uma atividade que realmente gosto. A sensação de nadar no mar é indescritível, e eu consegui competir e até ficar em segundo lugar na minha categoria na primeira prova. Meu objetivo era só completar, mas acabei surpreendendo a mim mesma”, relata.

A faixa etária dos alunos também é diversa, entre eles, há um senhor de 64 anos, isso reforça a ideia de que a natação em águas abertas é para todos.

Matheus destaca ainda os benefícios para o corpo e a mente que a natação proporciona: “Para mim, o projeto é essencial. Ele me desafia, melhora meu foco e concentração, e me faz compartilhar experiências únicas que só a natação em mar aberto pode proporcionar. É uma atividade que, apesar de cara, aqui ficou acessível para todos.”

Além da prática esportiva, o projeto tem um forte compromisso social. “Nosso propósito é alcançar mais pessoas e fazer com que saibam nadar. Em Maricá, que é uma cidade de praia, isso pode salvar vidas. Saber nadar é fundamental para evitar afogamentos”, alerta Igor.

As aulas acontecem às segundas e quartas-feiras, das 9h às 20h, com possibilidade de negociação para outros dias e horários. A mensalidade para atletas competidores é R$ 85,00, enquanto para o público geral é R$ 120,00. Esses valores ajudam a pagar o aluguel da sede e a manutenção da piscina.

Para quem quiser conhecer ou participar do projeto, entre em contato pelo Instagram @osbagresswimteam, onde é possível acompanhar as novidades e resultados dos atletas.

Com a sede e o crescimento dos alunos, os idealizadores esperam expandir ainda mais o projeto, levando o esporte e a saúde para um número maior de pessoas. “Queremos apoio para alcançar mais gente, porque esporte no Brasil é difícil de praticar. Mas a gente acredita que, com esforço e a participação de mais pessoas, podemos ir longe”, conclui Igor.