Os primórdios da consciência negra em Maricá estão ligados tanto à sua história colonial de assentamentos de povos negros e possíveis locais de desembarque clandestino de escravos quanto ao desenvolvimento de movimentos sociais e instituições locais de ativismo nas décadas mais recentes.
Raízes Históricas
Povoamento e Escravidão: A colonização de Maricá no século XVI utilizou mão de obra escravizada. Há hipóteses de que a região de Ponta Negra, por exemplo, tenha sido um local clandestino de desembarque de escravos, o que indica uma presença negra significativa desde os primórdios da ocupação portuguesa.
Quilombos: A resistência à escravidão se manifestou na formação de quilombos na região, como mencionado em estudos históricos sobre “Quilombo de Maricá”. Esses locais foram fundamentais para a preservação da cultura e da identidade negra e representam as primeiras formas organizadas de resistência e consciência racial na área.
Os antigos escravos em Maricá viviam sob um sistema de exploração brutal, com condições de vida desumanas, jornadas de trabalho exaustivas e alimentação precária, características comuns à escravidão no Brasil colonial e imperial. A economia local, baseada na produção de cana-de-açúcar e café, dependia inteiramente da mão de obra escravizada.
Detalhes sobre sua vida:
Trabalho Exaustivo: Os escravos trabalhavam principalmente nas atividades agrícolas das fazendas, como a Fazenda Itaocaia, no cultivo e beneficiamento de cana-de-açúcar e café. As jornadas de trabalho podiam ser extremamente longas e árduas.
Alimentação Precária: A base da alimentação era geralmente feijão, farinha de milho (angu) e, ocasionalmente, toucinho ou carnes de caça. Embora alguns senhores pudessem permitir a criação de pequenos animais ou o cultivo de parcelas de terra para subsistência, a dieta era insuficiente para a demanda energética do trabalho pesado.
Ausência de Direitos e Violência: Os escravos não possuíam direitos, bens e eram constantemente submetidos a castigos físicos e violência por parte dos senhores e feitores.
Resistência: A despeito das condições opressivas, havia formas de resistência, incluindo fugas e a formação de quilombos na região, como o Quilombo de Maricá, onde buscavam reconstituir suas vidas de acordo com suas tradições e condições geográficas. Quanto aos nomes dados aos Quilombos da região de Maricá estão relacionados à localização geográfica:
1° Quilombo Itaocala: cujos quilombolas atacavam frequentemente os viajantes mais displicentes. Viviam da caça e pesca. São duas versões que explicam a origem do nome dado à localidade.
Itaocaia – “casa saudável feita de pedra”
Itocaia – “Observatório” “mirante”, ficar à espreita para um ataque inopinado ( imprevisto).
2° Quilombo Alto do Guaiá (espécie de chocalho usado no batuque): Serra de Itatendiba (divisa de Maricá com São Gonçalo), cálcia de montanhas de difícil acesso, lugar ideal para os negros fugidos. Desenvolviam o plantio de bananas, mandioca, milho, etc. Clementino Pé de Serra, o negro mais respeitado entre todos, era considerado chefe.
3ª Quilombo Morro do Chapéu ou Montevidi” (divisa de Maricá com Itaboraí): A primeira versão assim denominada, pois a serra tem na verdade este formato (Lagarto – 1° Dist.). A segunda versão está relacionada a batalha que diz respeito a luta, esforço e empenho dos quilombolas pela sobrevivência. Constituía-se de oito a quinze, na maioria homens. Utilizavam os córregos do Caboclo e do Coqueiro para o escoamento fácil para seus produtos.
Montevidi – Vidi do francês Vider – esvaziar. Daí “os produtos esvaziavam a produção pelos córregos”.
4° Quilombo Lírussanga: Segundo Teodoro Sampaio significa “água fria” na Serra de Mato Grosso (divisa de Maricá com Saquarema) – 2° Dis.t Quando os negros percebiam alguma movimentação diferente refugiavam-se no Pico da Lagoinha, há 899 metros, para
Divertimento nas águas frias c cristalinas.
5° Quilombo Betolomeu (Jaconé): Os negros espancados pelos capatazes, temendo que lhes arrancassem a pele, refugiavam-se na Serra do Jacu, acreditando na proteção de São Betolomeu, na verdade uma corruptela de São Bartolomeu (24 de agosto), cuja pele foi arrancada e depois decapitado. Na religião Afro é conhecido como Oxumarê.
6° Quilombo do Ingá (do Tupi 1 – GÁ – árvore com frutos capsulares, que se caracterizam por sementes embebidas numa massa caro na). Na Serra do mesmo nome (Manoel Ribeiro – 2°Dist.), Justino das Conchas, escravo da Fazenda Engenho Novo, depois de um grande castigo conseguiu fugir e escondeu-se nas matas da Serra do Ingá, onde fundou este Quilombo. Certa vez muito ferido, Justino foi cuidado
por Dr. João de Souza Dias de Moraes (1843 – 1906) – 1ª médico de Marica (Fazenda da Serrinha – Bambui – 2° Dist.).
Embarcações que desembarcaram negros na costa do Rio de Janeiro, meados de 1831.
Sumaca Portuguesa Jacuí, proveniente de Angola que desembarcou 284 escravos em Ponta Negra (Marica – RJ)
A Escuna Portuguesa D. Joana, que desembarcou 283 negros em Ponta Negra e veio de Ambriz – Distrito de Luanda – Região de Angola (África).

Proprietário, Américo Brasil Silvado, hoje inexistente
Fonte: Acervo Historiadora Maria Penha de Andrade e Silva

O primeiro escravo liberto a rebelar contra injúrias sobre sua pessoa e amigos. Com uma faca riscava no chão a quem iria se vingar. Liderou uma resistência histórica em Inoã no início do século XIX sobre os fazendeiros devido à falta de assistência dada para os negros libertos.
Fonte: Acervo Historiadora Maria Penha de Andrade e Silva


Fonte: Acervo Historiadora Maria Penha de Andrade e Silva

Foto: Joguinho Silva
Fonte: Acervo Historiadora Maria Penha de Andrade e Silva

Fonte: Acervo Historiadora Maria Penha de Andrade e Silva

Fonte: Acervo Historiadora Maria Penha de Andrade e Silva

Fonte: Acervo Historiadora Maria Penha de Andrade e Silva
Equipe de Pesquisa:
Claudia Maria Ramos – Nutricionista, Pós Graduada em Clínica e Metabolismo, Bióloga e Psicopedagoga
Maria Penha de Andrade e Silva – Historiadora, Pedagoga e Especialista em Educação
Renata Toledo Pereira – Doutoranda em Educação, Pedagoga e Historiadora



