Alcateia de Loucos: um grupo disposto a superar todos os limites 

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Por: Elaine Nunes

Eles têm idades e objetivos diferentes, mas treinam diariamente no mesmo lugar, a Academia Ativa, sob o olhar atento de dedicados profissionais de educação física. Entre eles: Augusto Gonçalves (Guga), Nathielly Drubi (Nath) e Vanderlei Rodrigues (Lelei). 

Até aí, um relato normal de pessoas preocupadas em manter um estilo de vida saudável. O diferencial destes alunos é que fazem parte da “Alcateia de Loucos”. Um grupo que, desde maio, se reúne aos sábados, das 6h às 8h, para aulas específicas de força, técnica, velocidade e resistência, com o objetivo de participar de corridas de obstáculos inspiradas em treinamentos militares, como o Brutus Race e o Bravus Race.

Para Roberta Garcia (58 anos), de Ubatiba, que passou por todos os obstáculos nas três competições, os treinos são essenciais para a longevidade que tem como meta. “Eu não quero ninguém cuidando de mim, quero ter independência, autonomia, uma velhice saudável. Faço treino de força, isso dá segurança e um equilíbrio maior, ajuda a pegar as coisas com mais facilidade, levantar peso e me defender no dia a dia dos obstáculos com mais facilidade. Sem falar na questão de você ir ficando mais bonita, bem humorada, ir amando mais e sem ter que se privar de nada. Não se sentir velha por causa da idade”, opina. 

Nas competições, que contam com até 7 km de percurso e cerca de 30 obstáculos (como lama, arame farpado, escalada, argolas, poço e até um tobogã), os competidores são levados a testar seus limites físicos e mentais. Mais do que vencer, o foco é a superação pessoal e o desafio de completar o percurso em equipe. 

“Tudo começou depois que uma aluna, a Sabrina, foi participar, acompanhando a equipe da Yes, pensou que seria legal ter um grupo daqui e nos trouxe a ideia. A gente abraçou e se juntou para preparar o pessoal, porque não é apenas uma corrida, tem os obstáculos, então tem que ter força nos membros superiores, inferiores e disposição. Estar com o aeróbico em dia”, conta Guga. 

“A gente também quis juntar o pessoal para criar esse espírito de família e tentar trazer uma boa qualidade de vida, porque as pessoas ficam muito desmotivadas na hora do treinamento, mas a gente acredita que essa união que a gente tem, acaba motivando todo mundo a querer treinar e participar das provas para se desafiar”, completa Nath. 

Quando deu início ao projeto, o trio só não tinha ideia de que o grupo cresceria tanto. Imaginava que teria apenas uns cinco ou 10 alunos interessados. Estavam enganados. Na primeira corrida, em junho, reuniram 40 alunos; na segunda levaram 60; e na terceira, mês passado, foram 75 competidores. Com isso, conquistaram a segunda colocação entre as equipes que mais levaram participantes. 

Para eles, nenhum prêmio se compara a escutar um “obrigado” dos alunos que não acreditavam que seriam capazes de cumprir determinadas atividades, mas que concluíram porque tinham um dos três ao lado, gritando e incentivando a continuar sem medo. Afinal, segundo eles, ninguém pode ficar pra trás. 

Morador das Pedreiras, Bruno Henrique (30 anos), participou de todas as disputas. “Eu me senti abraçado no grupo da Alcateia. Além de serem dedicados, os professores me deram atenção, o grupo é unido. Eu acho que se não fosse, muita gente não ia chegar onde que chegou. Então, eu me sinto feliz de fazer parte desse grupo. Na primeira prova, deixei de fazer alguns obstáculos, na segunda também deixei de fazer dois ou três, mas nessa última consegui completar tudo, seguindo os treinos e a orientação dos professores”, explica.

“A gente se costumou a estar todo dia junto. E o legal daqui é que a gente tem esse lado família mesmo. Eu participei das três edições. Numa, não tive condições de pagar e ganhei de presente a inscrição. Minha mãe também já ganhou, assim como outros alunos. No dia, a gente aluga ônibus e sai daqui 3, 4 horas da manhã, feliz. Eu acho que não é só pelo evento em si, mas por ser o momento que a gente está reunido se divertindo, sem pensar nas coisas de fora e passando por dificuldades. Tem gente que tem medo de altura, aí a gente fica do lado. Não deixa ninguém desamparado. Na próxima, a gente vai fazer acontecer, igual fez nas outras vezes, marcando história”, avalia Danilo Peixoto (26 anos), do Caxito. 

Na próxima disputa, que acontece em 26 de abril, a Alcateia promete levar mais de 100 alunos. “Vamos criar um grupo de elite, com pessoas que vão realmente para competir, bater meta, tempo. Serão os atletas que se destacarem na Alcateia e que quiserem fazer parte disso. Mas a gente não quer ficar limitado a essas competições do Rio de Janeiro. Queremos levar a galera para todos os lugares, inclusive São Paulo”, pontuou Lelei.

Quem quiser participar da Alcateia de Loucos é super fácil. Basta ir na Academia Ativa, que fica na Rua Marquês de Caxias, nº 381, no Marquês de Maricá, e conversar com o Guga, a Nath ou o Lelei. Boa sorte!