RECORDAR O NATAL PASSADO DE MARICÁ É REAVIVAR A PUREZA DAS TRADIÇÕES SIMPLES

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A primeira árvore de Natal foi montada em um pé de aroeira na Fazenda São Bento, em São José de Imbasaí. Séc. XVIII Fonte: Acervo Historiadora Maria Penha de Andrade e Silva

O Natal nas antigas fazendas de Marica, inserido no contexto rural do Brasil colonial e imperial, era celebrado principalmente através de rituais religiosos e grandes banquetes, com forte influência das tradições portuguesas e a incorporação de costumes locais.

Os principais aspectos da celebração incluíam:
Atividades Religiosas: O ponto central da celebração era a fé católica, introduzida pelos colonizadores portugueses. A participação na Missa do Galo, realizada à meia-noite da véspera de Natal, era um evento crucial, muitas vezes exigindo longos deslocamentos até a igreja mais próxima.
Durante o período do Natal antigo em Marica, era comum que muitos devotos se deslocassem para a cidade utilizando canoas e cavalos, refletindo os métodos de transporte predominantes daquela época. A região, rica em vias fluviais e com forte conexão com a natureza, tinha esses meios como as principais formas de locomoção para participar das celebrações religiosas e festividades natalinas.

No século XIX, a participação popular na Missa do Galo em Maricá (e no Brasil) envolvia uma forte vivência religiosa e comunitária, com a população local (incluindo escravizados e libertos) comparecendo em peso à igreja para a celebração da meia-noite, com cantos, presépios, toques de sinos, e momentos de confraternização e ceia após a missa, sendo um evento central que mesclava fé, tradição e a vida social da vila.

Fazendeiros e pessoas mais abastados usavam suas melhores roupas para a ocasião, que era um evento social e religioso importante.

Os homens provavelmente vestiriam trajes de linho ou algodão de boa qualidade, possivelmente com coletes e paletós em estilos da época (como os descritos para o século XIX e início do XX, que envolviam tecidos lisos e golas altas). As mulheres usariam vestidos longos e saias de tecidos de algodão ou chita, com várias camadas de roupa interior, anáguas e possivelmente espartilhos, dependendo da década. As cores seriam sóbrias ou, no caso dos mais ricos, poderiam incluir cores primárias.

Moradores e trabalhadores rurais (incluindo pessoas escravizadas no período anterior à abolição) usavam roupas mais simples e funcionais.
Eram geralmente feitas de algodão ou tecidos grossos e duráveis, como linho ou cânhamo. As roupas eram básicas: homens usavam camisas e calças simples, e as mulheres, saias e blusas de cretone ou algodão. A roupa era principalmente utilitária, e para uma ocasião especial como a Missa do Galo, eles usariam a versão mais limpa ou menos desgastada que possuíssem.

O nome “Missa do Galo” vem da tradição de que o galo cantou pela primeira vez a meia-noite para anunciar o nascimento de Cristo. A missa começava pontualmente a essa hora.

Decoração e Iluminação: As igrejas eram decoradas de forma festiva para a ocasião. A iluminação era predominantemente feita por velas e lamparinas, criando um ambiente distinto e solene.

Música Sacra: A celebração contava com música sacra, corais e, possivelmente, a participação de músicos locais, seguindo o padrão da época no Rio de Janeiro e arredores.

Vigília e Ceia: Antes da missa, as famílias realizavam uma vigília e, após a celebração (ou no retorno para casa), davam início a ceia de Natal, que era um momento de grande confraternização.

Os moradores de Maricá faziam vigília antes da Missa do Galo na Matriz Nossa Senhora do Amparo por ser um tempo de preparação espiritual para o Natal, um período de esperança, conversão e vigilância dentro do Advento, onde a comunidade se unia para aguardar o nascimento de Jesus, mantendo viva a devoção a Padroeira e fortalecendo os laços comunitários com a fé.

Ceias e reuniões familiares: O costume mais comum no Brasil após a missa da meia-noite é retornar para casa e celebrar o nascimento de Jesus com a família em torno da mesa farta, trocando presentes e compartilhando a alegria da data.

Eventos públicos e decoração: Mais recentemente, a Prefeitura de Maricá tem investido em grandes eventos natalinos, como o “Natal Brasilidade” que inclui desfiles iluminados, música e decorações espetaculares na Orla de Araçatiba e em outros pontos da cidade, atraindo moradores e turistas para atividades noturnas festivas após as celebrações religiosas.

A informação de que a primeira árvore de Natal em Marica foi montada na
Fazenda São Bento em um pé de aroeira.

Sim, a informação está correta: o primeiro presépio feito em Maricá foi montado na Gruta da Sacristia, em Jaconé, de acordo com a história oral contada pela historiadora Maria Penha, marcando o início dessa tradição local que se espalhou pela cidade, criando um marco cultural e religioso em um dos seus pontos mais belos e naturais

Equipe de Pesquisa:
Claudia Maria Ramos – Nutricionista, Pós Graduada em Clínica e Metabolismo, Bióloga e Psicopedagoga
Maria Penha de Andrade e Silva – Historiadora, Pedagoga e Especialista em Educação
Renata Toledo Pereira – Doutoranda em Educação, Pedagoga e Historiadora.