A construção de um negócio consolidado no ramo de semijoias em Maricá tem como protagonista a paraense Betânia Serafim, 49 anos, turismóloga e empreendedora que transformou a busca por autonomia profissional em uma marca reconhecida por exclusividade, curadoria rigorosa e atendimento personalizado. À frente da joalheria que leva seu nome, ela comemora 15 anos de atuação no setor e seis anos de loja física no Centro de Maricá, em um percurso marcado por estudo, persistência e reinvenção.





O caminho que resultou na criação da marca começou muito antes de sua estreia no comércio. Betânia construiu carreira em áreas distintas antes de ingressar no universo das semijoias. Com formação em turismo, atuou na produção de eventos, exerceu funções públicas, entre elas a de subsecretária de Turismo em Maricá, já prestou serviços a empresas de grande porte. Após a maternidade, afastou-se por dois anos das atividades para se dedicar ao filho e, nesse período, atuou como consultora sociocultural em um condomínio da cidade. Quando resolveu voltar ao mercado de trabalho, esse retorno foi rápido, mas a vontade de empreender em algo que realmente lhe despertasse paixão foi determinante para a transição profissional que viria a seguir.
Depois de abrir uma empresa de produção de eventos, na qual não se adaptou, Betânia decidiu procurar um novo campo de atuação. A oportunidade surgiu quando uma amiga, que trabalhava com semijoias, apresentou o setor a ela. O convite despertou curiosidade, e esse primeiro contato acabou se transformando no ponto de virada de sua trajetória.
No começo, tinha poucas peças adquiridas de fornecedores indicados pela própria amiga. A intenção inicial era apenas experimentar algo novo, mas a reação das primeiras clientes foi decisiva para a expansão. Um dos episódios marcantes ocorreu em um salão de beleza, quando, ao entrar carregando suas peças, foi perguntada se o que trazia na bolsa eram empadas. Ao explicar que se tratava de semijoias e deixar o material para ser visto, as peças chamaram atenção imediata. Uma cliente comprou um brinco, fotografou e divulgou, e a procura cresceu de forma inesperada.
A partir dali, o trabalho de porta em porta se intensificou. Betânia começou a visitar salões, comércios e espaços femininos, sempre renovando o acervo e observando o gosto de cada cliente. Em poucos meses, passou de quatro para vinte e quatro bandejas de peças, aumentando a variedade e diversificando o catálogo.
Segundo ela, esse cuidado sempre foi fundamental: “Não é só vender. É usar uma peça que valorize a cliente, ter uma troca sincera, tomar um café na loja e construir uma relação de amizade.”
A empresária estudou referências internacionais, observou coleções de joalherias renomadas, analisou tendências de grifes como Tiffany, Cartier, Chanel, entre outras, e dedicou horas noturnas a pesquisar materiais, design, técnicas de banho e o comportamento do público consumidor.
Em vez de trabalhar com grande volume de fornecedores, Betânia mapeou mais de cem empresas e, ao longo dos anos, selecionou apenas aquelas que atendiam às exigências de durabilidade e padrão técnico. Hoje, opera com 42 fornecedores espalhados por regiões como Tocantins, Roraima, Belo Horizonte, São Paulo e Rio Grande do Sul, garantindo catálogo variado e peças com banho adequado, requisito fundamental para evitar alergias e desgaste. Ela destaca que “peças sem qualidade podem fazer mal às clientes, e, para ser semijoia, existe todo um critério de banho de ouro. Por isso, só trabalho com fornecedores confiáveis, para levar sempre o melhor.”
A estratégia de não repetir mais de três unidades de um mesmo modelo reforça a sensação de exclusividade. A marca aposta majoritariamente em peças douradas, alinhadas às tendências contemporâneas, e atende desde consumidoras que buscam itens acessíveis até aquelas que procuram acessórios mais sofisticados.
A presença de outras mulheres empreendedoras teve papel central na consolidação da marca. Proprietárias de salões, lojas e pequenos negócios abriram espaço para que Betânia expusesse suas bandejas e apresentasse coleções às clientes. Ela reconhece a importância desse apoio: “Quem me impulsionou a ir em frente foram as mulheres empreendedoras que abriram as portas dos seus negócios para que eu apresentasse o meu.”
Com a demanda crescente, vitrines compartilhadas já não eram suficientes. A necessidade de um local fixo surgiu naturalmente, e, há seis anos, a empresária instalou sua loja no Centro de Maricá, na Rua Abreu Sodré, onde hoje ocupa a sala 102 de um prédio comercial. A loja funciona de segunda-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, das 9h às 14h.


O trabalho voltado para noivas é um dos segmentos que mais fortalecem a identidade da marca. Ao receber uma encomenda, Betânia seleciona modelos conforme o estilo, o vestido, o formato da cerimônia e o perfil da noiva. A peça escolhida é reservada e não é vendida novamente até que a noiva a utilize, garantindo exclusividade.
Betânia explica que a busca envolve encontrar acessórios que combinem com o estilo da época, mas que também sejam atuais anos depois. “É muita pesquisa envolvida. A peça precisa fazer sentido hoje e continuar fazendo daqui a dez anos.”
Além da presença física, a loja aposta em vendas on-line e nas transmissões ao vivo pelo Instagram @betaniaserafimsemijoias, onde apresenta lançamentos e promoções semanais. As lives costumam movimentar centenas de mulheres e se tornaram um dos principais canais de divulgação e conversão. A marca foi convidada pela CEO Gabriela Lopes a expor suas peças no camarote Favela no Carnaval de 2025 e foi novamente convidada para 2026.
A trajetória de Betânia Serafim, marcada por estudo, persistência e sensibilidade, reflete o crescimento de um empreendimento que transformou semijoias em símbolo de conexão, cuidado e construção coletiva na cidade de Maricá.



