Em um setor historicamente dominado por homens, um banco comunitário em Maricá segue um caminho diferente: a gestão e a maior parte da equipe são formadas por mulheres. No Banco Mumbuca, instituição que administra a moeda social da cidade e programas de desenvolvimento local, elas ocupam cargos estratégicos, conduzem projetos e ajudam a transformar a realidade de milhares de moradores.
Atualmente, o banco conta com 43 funcionários, sendo que aproximadamente 30 são mulheres. Além disso, elas também representam a maior parte do público atendido pelos programas e linhas de crédito da instituição. Na prática, trata-se de um banco comandado por mulheres, tanto na gestão quanto no atendimento direto à população.
Para a diretora financeira do Banco, Natalia Sciammarella, essa presença feminina também está relacionada à própria lógica da economia solidária, que historicamente tem forte participação de mulheres.

“A presença feminina traz uma visão mais colaborativa e sensível ao impacto social das decisões financeiras. Trabalhamos com recursos que impactam diretamente a vida das pessoas, especialmente famílias em situação de vulnerabilidade e pequenos empreendedores. É preciso rigor na gestão, mas também sensibilidade para entender as necessidades da população”, afirma.
A direção da instituição também é ocupada por uma mulher. Manuela Mello assumiu a presidência do banco aos 21 anos e hoje, aos 26, segue à frente da instituição.

Ela conta que um dos maiores desafios foi enfrentar o preconceito por ser mulher e jovem em um cargo de liderança.
“Nós vivemos em um país patriarcal e machista. Quando veem uma mulher jovem em posição de liderança, muitos acham que ela está ali porque alguém colocou ou que é facilmente manipulada. Quebrar esses estigmas é um desafio constante”, diz.
Ela lembra que, no início, chegou a ouvir comentários questionando sua autoridade.
“Quando pediam para falar com o responsável pelo banco e me viam, pediam para chamar um homem. Eu respondia: aqui não, aqui você fala comigo ou não fala com ninguém”, conta.
Para ela, ocupar esse espaço também significa abrir caminho para outras mulheres.
“Eu não seria presidenta se não pudesse abrir novos espaços para outras mulheres chegarem mais longe. Sempre acreditei que estar nessa posição também significa garantir oportunidades para outras mulheres crescerem”, afirma.
A diretora-secretária do Banco Mumbuca, Camila Bandeira de Almeida Mello, de 31 anos, destaca que essa característica também impacta na forma de gestão.

“O banco comunitário é uma instituição totalmente diferenciada dos bancos convencionais e, quando administrado por mulheres, as lutas se intensificam e a responsabilidade com a realidade das mulheres passa a ser tratada como prioridade. O Banco Mumbuca é a primeira instituição em que trabalho que permite que crianças estejam junto com as mães quando necessário, especialmente pela falta de rede de apoio. Esse tipo de cuidado raramente é encontrado em instituições e, muitas vezes, é colocado como um obstáculo para que muitas mulheres se desenvolvam profissionalmente”, afirma.
Além da gestão, o banco também se tornou um espaço de oportunidades para mulheres que cresceram profissionalmente dentro da instituição.
Suely Rodrigues de Anchieta Monteiro da Silva, de 51 anos, começou a trabalhar no banco cobrindo temporariamente uma vaga no setor de serviços gerais e hoje ocupa o cargo de agente de ação social.

“Carrego comigo muita gratidão pelo que aprendi, pelas oportunidades. Amo o que faço”, conta.
Andressa da Conceição Souza, de 41 anos, também começou como auxiliar de serviços gerais e hoje atua no atendimento como agente de ação social.

“Descobri que posso crescer profissionalmente. Tenho bastante apoio das minhas chefes, que estão sempre me incentivando”, diz.
Criado para fortalecer a economia local, o Banco Mumbuca administra a moeda social utilizada em programas municipais e oferece linhas de crédito voltadas ao desenvolvimento da cidade.





