As praias de Maricá, conhecidas por sua beleza natural e pela forte ligação com a vida dos moradores locais, também enfrentam um desafio crescente, o descarte irregular de resíduos sólidos. Em meio a esse cenário, uma iniciativa simples, mas de grande impacto, vem ganhando destaque ao unir consciência ambiental, engajamento comunitário e ação direta. Trata-se do Projeto Menos 7, idealizado por Rodrigo Figueiredo Conceição, servidor público, morador do bairro Espraiado, de 42 anos.

Criado em fevereiro de 2024, o projeto tem como principal objetivo fomentar boas práticas ambientais por meio da coleta voluntária de resíduos nas areias das praias de Maricá. Mais do que recolher lixo, a proposta busca conscientizar a população sobre o papel de cada cidadão na preservação dos espaços naturais.
“A praia eu considero a extensão do meu lar. Eu moro aqui a minha vida toda”, afirma Rodrigo. Segundo ele, o cuidado com o ambiente praiano vai além do lazer. “Preservar o ambiente praiano, assim como lagoas e cachoeiras, é de suma importância para mim. É uma forma de auxiliar o poder público local. Por mais que existam ações do governo, a gente consegue fazer algo a mais.”
O nome Menos 7 não impõe limites. Pelo contrário, simboliza a ideia de que qualquer quantidade de lixo retirada do ambiente já representa um impacto positivo. “Apesar do nome ser Menos 7, a gente não se limita a esse número. Pode ser mais ou menos. O importante é coletar e ajudar o meio ambiente”, explica o idealizador.
A participação no projeto é espontânea e acessível. Geralmente, Rodrigo utiliza seu perfil pessoal no Instagram @rodrigowaves para divulgar os pontos e horários das ações. Ainda assim, muitas coletas acontecem de forma informal, ele chega ao local e inicia o trabalho, contando com a adesão voluntária de quem deseja participar.
“É só chegar e retirar o lixo. Pode ser em uma sacolinha ou até mesmo levar no bolso. O importante é colaborar, mesmo que seja pouco”, reforça. A marcação do projeto nas redes sociais gera um efeito em cadeia, incentivando outras pessoas a replicarem a iniciativa em diferentes pontos da cidade.
Após a coleta, os resíduos recicláveis são encaminhados para agências de coleta seletiva do município, locais destinados ao recebimento de materiais recicláveis pela população. Nesses pontos, Rodrigo realiza a troca do material por créditos, que são revertidos em sacolas e luvas, utilizadas nas ações seguintes do projeto.
Ao longo desses dois anos de atuação, o projeto já recolheu diversos tipos de resíduos. O material mais encontrado é o plástico, como garrafas, tampinhas, embalagens e sacolas. No entanto, também surgem achados preocupantes, como seringas e resíduos hospitalares.






Diante desses riscos, Rodrigo faz um alerta importante. “Não aconselho a população a sair coletando lixo sem orientação, pois existem resíduos que podem ser prejudiciais ao contato com a pele.” Por isso, o projeto também atua na orientação sobre a forma correta de realizar a coleta e, principalmente, na conscientização para que as pessoas não descartem lixo nas praias, levando seus resíduos de volta para o descarte adequado.



