Coletiva Por Elas Maricá fortalece união feminina

Grupo destaca a importância da união das mulheres na defesa de direitos e na transformação social

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Foto: divulgação

Criada em 18 de julho de 2023, a Coletiva Por Elas Maricá é um movimento feminista atuante na cidade, focado na formação política, no protagonismo feminino e na conscientização, que conta com quase 70 mulheres de diferentes classes sociais, formação, qualificação, idades e bairros.

“A Coletiva tem a proposta de discutir sobre política e mulheres em espaço do poder, como uma construção de fortalecimento para que as mulheres consigam entender todo esse contexto social em que a mulher está inserida e que permite, permeia e valida essa violência contra a mulher que está sendo vista atualmente e que não nos permite estar nesses espaços de poder. Nós temos encontros semanais ou quinzenais, de acordo com nossa agenda, e neles, abordamos assuntos pertinentes à mulher, mas com direcionamento voltado para questões de espaço de decisão e política. Somos um grupo bastante diverso, o que é maravilhoso”, explicou Fabiana Campelo, que atua na liderança da Coletiva.

Segundo ela, ao longo desses três anos, o movimento participou de algumas ações, como oficinas, encontros, além do curso de formação política feminista – que já está no 3º módulo – e de campanhas contra o assédio, como a “Não é Não”, realizada durante o Carnaval.

Na Festa Literária de Maricá (Flim), por exemplo, foi organizado um Lambe-lambe (varal com fotos das participantes), numa das tendas do evento. Além disso, cada mulher tinha 10 minutos para se expressar, da maneira que preferisse.

“Teve quem fizesse rito religioso, quem cantasse, quem declamasse poema e até quem fizesse uma reclamação. Foi uma diversidade de inspirações. E foi muito legal, porque as mulheres querem pertencer. E acontece delas, muitas vezes, entrarem em ciclos que validam e perpetuam a opressão. Então, precisamos suscitar um novo olhar sobre o espaço que as mulheres ocupam, pois nós temos bons equipamentos de apoio e a mídia reforçando que estamos sendo mortas. À cada 4 minutos, uma mulher sofre uma violência sexual, é abusada ou violentada. E não se trata apenas de violência física, mas há também de violência política, de gênero, patrimonial. Mas a gente não vê nenhuma mudança. Os espaços de poder ainda são controlados pelos homens”, pontuou a representante.

É importante frisar que a Coletiva por Elas não é um momento de terapia, nem foi pensado para falar sobre a violência contra a mulher no sentido de acolhimento somente. Ela surgiu de uma proposta da vereadora Chris Correia para ser uma ferramenta essencial na formação dessas mulheres, para que elas possam fazer esse enfrentamento e sejam um vetor para outras mulheres atuando em outros espaços.

“Então, a gente faz uma discussão, se fortalece e estuda junto, porque a gente entende que antes de tudo, o conhecimento é poder. A mulher precisa falar da violência, mas ela também precisa entender os mecanismos que permitem essa violência, porque senão a gente não sai desse ciclo. Quando a gente pensa a sociedade como um todo é sempre um homem, principalmente branco, que está nos espaços de poder. E isso é muito problemático, porque biologicamente falando, nós somos muito complexas. Não podemos ter homens nos espaços de decisão sobre os nossos corpos”, frisou Fabiana, que é formada em Ciência Política pela Universidade de Londres e trabalhou muitos anos no combate ao tráfico de pessoas no Reino Unido.