Texto da coluna REFLEXÃO, de autoria de Kevellyn Cândido.
Por muito tempo, ouvimos frases como “fulano ainda não saiu do armário”, como se houvesse um momento exato, uma revelação obrigatória, um rito de passagem para ser quem se é. Mas por que esse “armário” ainda existe? Quem o construiu? Certamente, não fomos nós. O armário é uma invenção social que rotula e restringe, uma forma de controle sobre identidades que não se encaixam no que o senso comum consegue compreender.
Cada pessoa tem seu tempo, seu caminho e sua maneira de existir no mundo. E nenhuma delas precisa ser validada por um anúncio. Pessoas heterossexuais não fazem discursos para contar quem amam. Por que, então, nós precisaríamos? Estar dentro ou fora do armário é uma construção imposta, e muitas vezes cruel, que sugere que precisamos “nos assumir” para sermos aceitos. Mas assumir o quê? Sentimentos não são confissões, são parte da nossa essência.
Inclusive dentro da própria comunidade LGBTQIAPN+, ainda há quem cobre esse momento, como se fosse um passo obrigatório na jornada de todo mundo. Não é. Se lutamos por liberdade, precisamos primeiro parar de exigir que existam caixas, fases e rótulos dentro do que vivemos.
Esse pensamento já deveria estar no passado. Se queremos verdadeiramente uma sociedade mais livre, é hora de parar de reforçar o armário e começar a derrubá-lo de vez.

Kevellyn Cândido, publicitário, pós-graduado em Gestão de Negócios e em Estratégia de Conteúdos para Mídias Digitais.



