Aos 23 anos, o atleta Lucas da Silva Sodré, morador do bairro Flamengo, em Maricá, tem construído uma trajetória marcada por determinação, disciplina e conquistas inéditas no esporte paralímpico. Após perder a perna aos 18 anos em um acidente de trabalho, Lucas encontrou no remo não apenas uma nova possibilidade de vida, mas também um caminho promissor no alto rendimento esportivo.

A virada começou em agosto de 2025, quando, enfrentando crises de ansiedade, conheceu o remo por meio de um amigo da academia. O que inicialmente parecia um desafio distante se tornou uma paixão e, mais do que isso, uma ferramenta de reconstrução pessoal. Mesmo com receios sobre suas limitações físicas, Lucas encontrou apoio nos técnicos do remo paralímpico e em colegas de equipe, fator essencial para ganhar confiança e evoluir dentro da modalidade.
Lucas Sodré, fez parte de um marco histórico para o esporte brasileiro, integrou o primeiro barco paralímpico a competir em uma prova convencional, ao lado de outros seis remadores com deficiência.

A participação colocou o grupo em evidência nacional e demonstrou, na prática, a capacidade técnica e competitiva dos atletas paralímpicos em igualdade de condições.
Desde então, Lucas vem acumulando resultados expressivos e consolidando seu nome na modalidade. No Campeonato Brasileiro de Barcos Curtos de 2026, realizado na Raia Olímpica da USP, em São Paulo, conquistou a medalha de bronze na categoria PR3 Single Skiff, além de pódio na prova 2100 (2-M) PR3 masculino. Os resultados reforçam seu potencial dentro da classe funcional PR3, destinada a atletas com boa mobilidade de tronco e braços.
Integrante do projeto Maricá Cidade Olímpica, um projeto voltado para preparação de atletas de alto rendimento esportivo, Lucas mantém uma rotina intensa de treinos: são quatro horas diárias, seis vezes por semana. A preparação é dividida entre o remo paralímpico e a canoa polinésia, modalidade que também pratica pela equipe Ponta Negra Va’a.
Além das medalhas, a trajetória de Lucas tem gerado impacto direto na comunidade. Sua história ultrapassou o ambiente esportivo e chegou às salas de aula. Um momento marcante na vida do atleta foi ver sua história se transformar em tema de um trabalho escolar na Escola Municipal Clério Boechat, de Maricá.
A experiência tem ampliado sua visão sobre o esporte de alto rendimento e fortalecido sua preparação para desafios maiores, como a busca por uma vaga na seleção nacional e, futuramente, a participação nos Jogos Paralímpicos.
Lucas segue em ascensão no cenário do remo paralímpico. Ao mesmo tempo, busca apoio de parceiros e patrocinadores que possam contribuir para o desenvolvimento de sua carreira, viabilizando melhores condições de treinamento e participação em competições. A expectativa é continuar representando Maricá em nível nacional e ampliar ainda mais os resultados conquistados, consolidando-se como um dos nomes promissores da nova geração do esporte paralímpico brasileiro.








