Crianças que dão os primeiros passos no ballet, jovens que descobrem na dança uma forma de expressão e adultos que encontram na atividade um momento de bem-estar. Em Itaipuaçu, a Cia das Artes Lídia Maria se tornou um espaço onde a dança acolhe alunos de diferentes idades e objetivos, seja para quem sonha com os palcos ou para quem deseja aprender, se movimentar e viver a arte no dia a dia.
Fundada em 2015 pela bailarina e professora Lídia Maria Alves Fernandes, a escola se consolidou como um espaço de formação artística e desenvolvimento na dança. No local, os alunos encontram disciplina, incentivo e oportunidades para participar de festivais e cursos no Brasil e no exterior. Ao longo da última década, a instituição acumulou mais de 100 premiações em competições nacionais e internacionais.






Atualmente, a escola conta com uma variedade de turmas. Além do ballet clássico, os alunos podem praticar modalidades como hip hop, sapateado, dança cigana, jazz dance, dança moderna, dança contemporânea e PBT, técnica de condicionamento físico voltada para bailarinos.
O espaço, que começou com apenas uma pequena sala, hoje ocupa um andar inteiro de um prédio em Itaipuaçu, com cinco salas amplas.






Entre as conquistas da escola e individuais estão premiações em importantes competições nacionais e internacionais, como o Grande Prêmio Internacional da Dança, o Miami International Ballet Competition e o Youth America Grand Prix. O Festival Internacional de Goiás, o Festival Internacional do Espírito Santo, eventos realizados em São Paulo, além do título de escola destaque em Niterói, em 2023, enriquecem o currículo da escola e de quem passa por ela. Em outubro de 2025, Lídia Maria foi convidada pelo The Florida Ballet, nos Estados Unidos, para ministrar aulas.
Em 2024, sete estudantes participaram de um festival internacional em Cuba, evento que reúne bailarinos de diferentes países. Durante o encerramento das atividades, a diretora do Ballet Nacional de Cuba selecionou três alunos da Cia das Artes Lídia Maria para participar de um curso profissionalizante no país, considerado uma das maiores referências mundiais na formação de bailarinos.
Residências coreográficas em Miami e apresentações em eventos culturais nos Estados Unidos, como o Brazilian Day, em Nova York, em 2025, também fazem parte da trajetória de alunos da escola.
“Essa experiência traz amadurecimento pessoal e profissional para o bailarino. A carreira da dança não se limita apenas ao Brasil”, explica Lídia.
A bailarina Manuella Fernandes, de 19 anos, afirma que a escola foi fundamental para sua trajetória na dança.
“Além da formação dentro da sala de aula, viver em outro país também foi um aprendizado incrível. Foi uma experiência de muito amadurecimento, convivendo com pessoas de diferentes culturas, enfrentando desafios e aprendendo diariamente. Cuba tem uma relação muito profunda com o ballet, e poder viver essa realidade de perto me fez entender ainda mais o valor da disciplina, da entrega e do respeito pela arte”, conta.
A estudante Giovanna Guerra, também de 19 anos, acompanha o trabalho da escola há mais de uma década e destaca as oportunidades que surgiram ao longo do tempo.
“Ser aluna da Lídia Maria sem dúvidas mudou a minha vida e me proporcionou realizar sonhos que antes pareciam muito distantes. Um deles foi participar de um festival em um dos maiores ballets do mundo, o Ballet Nacional de Cuba”, afirma.
Já a bailarina Maria Eduarda Brandão, de 17 anos, lembra da experiência de estudar no exterior como um momento decisivo em sua formação.
“Uma das experiências mais marcantes que vivi através da escola foi a oportunidade de estudar por quatro meses no Ballet Nacional de Cuba. O intercâmbio foi um período de muito aprendizado e crescimento”, diz.
O bailarino João Paulo Almeida Ferreira, de 22 anos, também viveu uma das experiências internacionais proporcionadas pela escola e relembra o impacto do contato com grandes companhias de dança.
“A minha ida para Cuba e poder presenciar a potência do melhor ballet do mundo foi inesquecível. Estar na mesma sala e assistir de perto bailarinos tão talentosos faz você acreditar até no impossível. Não existe incentivo maior para continuar trabalhando diariamente”, destaca.








A história da escola também está diretamente ligada à trajetória de sua fundadora. Lídia Maria Alves Fernandes nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, e teve o primeiro contato com o ballet clássico aos 10 anos.
Aos 11 anos, perdeu a mãe, e foi nesse momento que a dança se tornou um ponto de apoio em sua vida. Incentivada por uma vizinha, Solange Ferreira dos Santos, a quem considera como uma tia, decidiu continuar no ballet e transformar a arte em profissão.
Aos 17 anos já dava aulas enquanto terminava o ensino médio. A rotina era intensa: estudava pela manhã, trabalhava à tarde e ensinava ballet à noite. Pouco tempo depois passou a morar sozinha e chegou a dar aulas em cinco lugares diferentes para conseguir se sustentar. Com muita dificuldade, conseguiu juntar dinheiro, fez faculdade e realizou residência artística nos Estados Unidos.
Aos 24 anos conheceu o marido e, quando engravidou, decidiu construir a vida em Itaipuaçu, em Maricá. Mesmo assim, continuou a rotina de trabalho durante anos no Rio de Janeiro e em Niterói. A decisão de abrir a própria escola surgiu com a maternidade e com o desejo de trabalhar mais perto da família.
As primeiras turmas tinham apenas quatro alunos, e muitas vezes a participação em festivais só foi possível graças à mobilização de pais e familiares.
“Já fizemos rifas, vendemos pipoca, bolo e organizamos festas para ajudar nas viagens”, conta.
Hoje, a escola reúne centenas de alunos e também abriga uma companhia formada por bailarinos profissionais que foram alunos de Lídia e seguem trabalhando na área.
Apesar das conquistas, a diretora afirma que a dança exige dedicação constante.
“Meu trabalho é 95% transpiração e apenas 5% glamour”, resume.
Ao levar estudantes para festivais dentro e fora do Brasil, Lídia acredita que o trabalho também ajuda a divulgar a cidade.
“Quando um aluno meu dança fora do Brasil, não é só ele que está ali. É toda uma história, toda uma cidade que está sendo representada”, diz.
A Cia das Artes Lídia Maria fica na Avenida Carlos Marighella, 9426, em Itaipuaçu. Instagram: ciadasarteslidia


